Tenossinovite dos flexores dos dedos: o que é e como tratar

Dor ao dobrar os dedos, sensação de estalo, rigidez pela manhã e dificuldade para segurar objetos podem indicar tenossinovite dos flexores dos dedos.

Essa condição envolve inflamação do tendão flexor e da sua bainha (a “capa” que guia o tendão), alterando o deslizamento normal durante a flexão.

O resultado costuma ser desconforto, perda de força e, em alguns casos, travamento do dedo.

A boa notícia é que, com diagnóstico correto e um plano bem direcionado, o controle dos sintomas costuma ser eficaz, com recuperação funcional na maioria dos casos.

O que é tenossinovite dos flexores dos dedos

Os tendões flexores são estruturas resistentes que conectam músculos do antebraço aos ossos dos dedos, permitindo fechar a mão, segurar e pinçar objetos.

Esses tendões passam por “túneis” e polias anatômicas que mantêm o trajeto estável. Quando ocorre inflamação do tendão ou espessamento da bainha, o deslizamento fica prejudicado.

Em quadros mais típicos, surge o chamado “dedo em gatilho” (tenossinovite estenosante), no qual o tendão encontra resistência ao passar por uma polia e o dedo pode travar ao flexionar ou estalar ao estender.

Principais causas e fatores que aumentam o risco

Nem sempre existe uma única causa. No consultório, alguns padrões aparecem com frequência:

  • Sobrecarga repetitiva: digitação intensa, ferramentas manuais, esportes de preensão, trabalhos com pinça fina e movimentos repetidos.
  • Microtraumas e esforço sem preparo: aumento súbito de treino, atividades manuais prolongadas, pouca pausa.
  • Condições clínicas associadas: diabetes, hipotireoidismo, artrite reumatoide e outras doenças inflamatórias podem favorecer espessamento de tendões e bainhas.
  • Pós-trauma local: impacto no dedo, entorses e inflamações persistentes.
  • Edema e retenção: alterações hormonais e períodos de maior inchaço podem piorar o atrito local.

Identificar o gatilho real da tenossinovite ajuda a evitar recorrência.

Sintomas mais comuns

Os sinais variam de leves a limitantes. Os mais relatados incluem:

  • Dor na palma, na base do dedo ou ao longo do trajeto do tendão.
  • Sensibilidade ao toque em um ponto específico.
  • Sensação de “corda” ou espessamento local.
  • Rigidez ao acordar, com melhora parcial ao longo do dia.
  • Estalos ao movimentar o dedo.
  • Travamento ao fechar a mão, às vezes exigindo ajuda da outra mão para destravar.
  • Redução de força e desconforto para segurar objetos.

Se houver perda de sensibilidade importante, mudança de cor do dedo, febre, ferida ou dor intensa após trauma, a avaliação precisa ser mais rápida.

Como é feito o diagnóstico

O diagnóstico é clínico, com base em história detalhada e exame físico. O especialista avalia:

  • Ponto de dor e presença de nódulo no trajeto do tendão.
  • Estalos, travamento e amplitude de movimento.
  • Sinais de inflamação articular que podem sugerir doença de base.
  • Impacto funcional em tarefas do dia a dia e no trabalho.

Exames complementares podem ser solicitados quando há dúvida ou para planejar condutas:

  • Ultrassom: útil para observar espessamento do tendão, líquido na bainha e alterações inflamatórias dinâmicas.
  • Ressonância: reservada para casos selecionados, persistentes ou com suspeita de lesões associadas.

Opções de tratamento

O plano deve combinar controle da inflamação, redução do atrito e correção do fator desencadeante. Em muitos casos, medidas conservadoras resolvem.

Medidas iniciais e controle de carga

  1. Ajuste temporário das atividades que exigem força de pinça e repetição.
  2. Pausas programadas durante tarefas manuais.
  3. Gelo em períodos curtos, orientado por profissional.
  4. Analgésicos e anti-inflamatórios, quando indicados e seguros para o paciente.
  5. Órtese para reduzir p atrito e proteger a estrutura durante a fase dolorosa.

A órtese costuma funcionar melhor quando usada com objetivo claro e por tempo definido, evitando dependência e rigidez prolongada.

Reabilitação e terapia da mão

A fisioterapia e terapia ocupacional focam em:

  • Mobilidade com segurança, sem agravar o atrito.
  • Exercícios graduais de deslizamento tendíneo.
  • Fortalecimento progressivo de punho e mão.
  • Ajustes ergonômicos e técnica de trabalho/treino.

Quando bem indicada, a reabilitação melhora os sintomas e reduz a recorrência.

Infiltração e procedimentos

Em casos com travamento relevante, dor persistente ou falha do conservador, a infiltração pode ser considerada.

O procedimento é escolhido com critério, avaliando comorbidades, tempo de sintomas e risco-benefício. A resposta costuma ser boa em muitos pacientes, com melhora do estalo e da dor.

Em situações mais resistentes, com travamento frequente ou perda funcional importante, pode haver indicação de tratamento cirúrgico para liberar a polia responsável pela constrição, geralmente com bons resultados quando bem indicado e acompanhado por reabilitação.

Em quadros persistentes, pode ser necessário buscar tratamento diferenciado com ortopedista especialista em tenossinovite.

O que ajuda a prevenir novas crises

Prevenção é uma soma de detalhes bem feitos:

  • Aumentar carga de treino ou trabalho manual de modo gradual.
  • Alternar tarefas e evitar longos períodos de preensão contínua.
  • Aquecer mãos e punhos antes de atividades intensas.
  • Cuidar de doenças associadas (controle glicêmico, inflamação sistêmica).
  • Ajustar ergonomia: altura de teclado, apoio de punho, pegada de ferramentas.

Conclusão

A tenossinovite dos flexores dos dedos costuma começar com sinais discretos e pode evoluir para estalos e travamento se o atrito se mantém.

Diagnóstico clínico bem feito, correção do fator de sobrecarga e um plano de tratamento individualizado tendem a controlar a dor, recuperar a função e reduzir recidivas.

Quanto mais cedo o tratamento correto começa, menor a chance de limitação prolongada.

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Ortopedista-Especialista-maos-em-Goiania-
Dr. Henrique Bufaiçal

Ortopedista Especialista em mãos Goiânia. Há mais de 8 anos dedicando-se exclusivamente aos cuidados ortopédicos e à Cirurgia da Mão.