Por que a artrose entorta os dedos?

A dúvida “por que a artrose entorta os dedos” aparece com frequência em consultório porque a deformidade costuma assustar.

Em muitos casos, surgem dor, redução de força e mais dificuldade em atividades do dia a dia. Abrir potes, abotoar roupas e segurar uma caneta podem virar tarefas bem mais trabalhosas.

A artrose é um desgaste gradual da articulação ao longo do tempo. Nas mãos, ela aparece com mais frequência na ponta dos dedos, nas articulações do meio e na base do polegar, onde recebe o nome de rizartrose.

O desvio dos dedos não tem uma causa única. Ele costuma ser resultado de várias mudanças na articulação que, juntas, alteram o alinhamento e a forma como a mão funciona.

O que muda na articulação quando existe artrose

A articulação pode ser entendida como um conjunto bem organizado: a cartilagem diminui o atrito, o líquido sinovial melhora a lubrificação, a cápsula e os ligamentos mantêm a estabilidade, e músculos com tendões fazem o movimento acontecer.

Na artrose, esse conjunto perde a eficiência.

Com o tempo, pode ocorrer:

  • Desgaste e afinamento da cartilagem.
  • Reação do osso com formação de osteófitos (“bicos de osso”).
  • Inflamação intermitente da membrana sinovial, com inchaço e dor.
  • Frouxidão de ligamentos e alteração do equilíbrio entre tendões.

O resultado é uma articulação menos estável, com pontos de sobrecarga e tendência ao desalinhamento.

Por que a artrose entorta os dedos?

O desvio dos dedos costuma surgir por quatro mecanismos principais, que podem estar presentes juntos.

1. Osteófitos e remodelamento ósseo

Quando a cartilagem se desgasta, o osso recebe mais carga. O organismo reage “reforçando” as bordas da articulação com osteófitos.

Esse crescimento ósseo muda o formato do encaixe e pode empurrar o dedo para um lado, criando uma deformidade progressiva.

Nas pontas dos dedos, esse processo é comum e pode formar nódulos palpáveis, conhecidos como nódulos de Heberden. No meio dos dedos, podem surgir nódulos de Bouchard.

2. Perda do espaço articular e instabilidade

A cartilagem mais fina reduz o espaço articular e altera o centro de rotação do movimento.

O dedo passa a “escapar” levemente para uma direção preferencial, principalmente durante atividades repetitivas de pinça e preensão.

Esse padrão favorece subluxações (pequenos desalinhamentos) e, com o passar dos meses ou anos, o desvio fica visível.

3. Frouxidão ligamentar e desequilíbrio de tendões

Ligamentos funcionam como estabilizadores. Na artrose, a cápsula articular e os ligamentos podem ficar mais frouxos por inflamações repetidas e microlesões.

Com menos contenção, os tendões que puxam o dedo deixam de atuar de forma simétrica.

Esse desequilíbrio traciona mais um lado do dedo, reforçando a deformidade, reduzindo a força e aumentando a sobrecarga local.

4. Inflamação recorrente e rigidez adaptativa

Crises de dor e inchaço levam à redução de movimento. O corpo “protege” a articulação mantendo certas posições, o que encurta tecidos e reduz a mobilidade.

Com o tempo, essa adaptação pode fixar o dedo em um alinhamento ruim.

Quais sinais costumam acompanhar o entortamento

Nem toda artrose da mão entorta os dedos, e nem todo desvio é artrose. Quando a causa é artrose, é comum observar:

  1. Dor mecânica, pior no uso e no fim do dia.
  2. Rigidez ao acordar que melhora ao movimentar.
  3. Aumento de volume nas articulações dos dedos.
  4. Perda de força de pinça e dificuldade com movimentos finos.
  5. Piora gradual, com períodos de estabilidade.

Se o inchaço é intenso, há calor local frequente, rigidez prolongada pela manhã ou múltiplas articulações inflamadas ao mesmo tempo, vale investigar diagnósticos inflamatórios, como artrite reumatoide.

Como confirmar o diagnóstico com segurança

O diagnóstico envolve história clínica e exame físico, avaliando quais articulações doem, quais estão aumentadas e como está o eixo do dedo.

A radiografia costuma mostrar redução do espaço articular, osteófitos e sinais de remodelamento ósseo. Em situações selecionadas, ultrassom ajuda a avaliar inflamação e estruturas de partes moles.

Quando existe dúvida diagnóstica, exames laboratoriais podem ser solicitados para afastar doenças inflamatórias.

Nessa etapa, faz diferença consultar ortopedista de mão para o diagnóstico correto, porque o padrão de deformidade orienta tanto a investigação quanto o plano de tratamento.

Tratamento: o que ajuda e o que costuma falhar

O foco é controlar a dor, preservar a função e reduzir a progressão de deformidades.

Medidas conservadoras (primeira linha)

  • Adaptação de atividades e ergonomia (evitar pinça forte prolongada).
  • Órteses para estabilizar articulações dolorosas, especialmente no polegar.
  • Fisioterapia e terapia ocupacional para mobilidade, força e proteção articular.
  • Recursos térmicos (calor para rigidez, frio em crises inflamatórias).
  • Medicamentos analgésicos e anti-inflamatórios, com avaliação de riscos.
  • Infiltrações em casos selecionados, principalmente no polegar.

Exercícios bem orientados tendem a ser mais úteis do que repouso prolongado. A mão precisa de movimento, com dose e técnica adequadas.

Quando pensar em cirurgia

A cirurgia é considerada quando há dor persistente, deformidade limitante e falha do tratamento conservador. As opções variam por articulação e objetivo:

  1. Artrodese (fusão) para aliviar dor e dar estabilidade em algumas articulações dos dedos.
  2. Artroplastia (substituição) em articulações específicas, buscando a mobilidade.
  3. Procedimentos na base do polegar para rizartrose com dor importante

A decisão depende do dedo, do tipo de deformidade, da demanda funcional e do perfil clínico.

Conclusão

A artrose entorta os dedos porque muda a mecânica da articulação: desgaste da cartilagem, osteófitos, instabilidade ligamentar e desequilíbrio tendíneo formam um ciclo de sobrecarga e desalinhamento.

Um diagnóstico bem feito e tratamento orientado protegem a função, reduzem a dor e podem desacelerar a evolução.

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Ortopedista-Especialista-maos-em-Goiania-
Dr. Henrique Bufaiçal

Ortopedista Especialista em mãos Goiânia. Há mais de 8 anos dedicando-se exclusivamente aos cuidados ortopédicos e à Cirurgia da Mão.