Dor na falange do dedo do meio: quando procurar avaliação

Entenda quando suspeitar de fratura ou tendinite e como conduzir o cuidado de dor na falange do dedo do meio de forma segura.

Sentir dor na falange do dedo do meio é uma queixa frequente no consultório, principalmente em quem trabalha com as mãos, pratica esportes com bola ou repete os mesmos movimentos ao longo do dia.

A falange é o osso do dedo. A dor pode aparecer em qualquer segmento: falange proximal (mais próxima da mão), falange média ou falange distal (perto da unha).

Mapear o ponto exato da dor, quando o incômodo começou e quais situações pioram o quadro ajuda a levantar as causas mais prováveis e a guiar a conduta.

Em muitos casos, o desconforto é temporário e melhora com cuidados simples, já em outros a dor persiste, aparece inchaço, rigidez, estalos ou dificuldade para dobrar e esticar, sugerindo que há uma lesão estrutural que merece investigação.

Onde exatamente fica a dor e por que isso importa

A localização orienta bastante o diagnóstico.

  • Dor na falange proximal do dedo do meio pode apontar para sobrecarga de tendões e ligamentos próximos à articulação metacarpofalângica (a “junta” na base do dedo).
  • Dor na falange média costuma se relacionar à articulação interfalângica proximal, frequentemente envolvida em entorses.
  • Dor na falange distal, perto da unha, pode estar ligada a pequenas fraturas, inflamações locais, alterações do leito ungueal ou artrose da ponta do dedo.

No consultório, costumo pedir que o paciente indique o ponto mais doloroso com a ponta do outro dedo e descreva o tipo de dor: pontada ao apertar, dor ao dobrar, dor constante em repouso ou sensação de “queimação”.

Esse detalhamento muda o caminho da avaliação.

Causas comuns de dor na falange do dedo do meio

Pancada, queda e entorse do dedo

Traumas diretos são líderes em frequência. Uma bolada, prender o dedo em uma porta ou apoiar a mão numa queda pode causar contusão, entorse ligamentar e, em alguns casos, fratura.

Nem sempre a fratura gera deformidade evidente, às vezes, o sinal principal é a dor localizada com inchaço e piora ao tentar usar a mão.

Tendinite e tenossinovite por esforço repetitivo

Digitar, usar ferramentas, tocar instrumentos e atividades manuais intensas podem irritar tendões e suas bainhas.

A dor pode ser progressiva, com sensação de peso, rigidez matinal e incômodo ao fechar a mão.

Em parte dos meus pacientes, o sintoma começa discreto e só chama atenção quando tarefas simples, como segurar uma sacola ou abrir um pote, passam a incomodar.

Inflamação articular e artrose das pequenas articulações

Algumas pessoas apresentam desgaste articular em articulações dos dedos, o que pode causar dor, rigidez e aumento de volume.

Quando há inflamação, pode existir calor local e sensibilidade mais marcada.

Se a dor vem junto de inchaço persistente em mais de uma articulação, a investigação precisa ser mais ampla.

Lesões do tendão extensor ou flexor

Dependendo do mecanismo, pode ocorrer lesão tendínea parcial.

Um sinal de alerta é perda de força ou dificuldade real para dobrar ou esticar uma das articulações, mesmo sem tanta dor, o que muda o tipo de tratamento e o tempo de recuperação.

Compressões nervosas e dor irradiada

Nem toda dor no dedo nasce no dedo.

Irritação de nervos no punho, no antebraço ou no cotovelo pode gerar dor referida, formigamento e choques, que às vezes são percebidos no dedo do meio.

Quando o sintoma vem com dormência, piora noturna ou sensação elétrica, vale considerar essa possibilidade.

Sinais de alerta que pedem avaliação sem demora

Procure atendimento se houver:

  • Deformidade, desvio ou dedo “fora do lugar”.
  • Incapacidade de dobrar ou esticar o dedo.
  • Dor intensa após trauma, com inchaço rápido.
  • Dormência persistente, alteração de sensibilidade ou perda de força.
  • Ferida aberta, hematoma grande sob a unha ou suspeita de infecção (vermelhidão progressiva, calor, secreção).
  • Dor que não melhora em 7 a 10 dias, mesmo com redução de esforço.

Como é feito o diagnóstico

O diagnóstico começa pela conversa clínica: quando iniciou, mecanismo do trauma, padrão de piora, atividades que exigem pinça e preensão, e histórico de doenças articulares.

Em seguida, vem o exame físico, com palpação ponto a ponto, testes de estabilidade ligamentar e avaliação do deslizamento de tendões.

Exames de imagem

  • Radiografia costuma ser solicitada quando há trauma, dor localizada ao toque no osso, inchaço importante ou limitação funcional.
  • Em situações específicas, o ultrassom pode ajudar a avaliar tendões e partes moles.
  • Ressonância é reservada para casos selecionados, principalmente quando há suspeita de lesão mais complexa e o quadro não se esclarece com métodos mais simples.

Cuidados iniciais

Em quadros leves e recentes, a minha recomendação é:

  • Reduzir as atividades que provocam dor.
  • Aplicar gelo por 10 a 15 minutos, 2 a 3 vezes ao dia, nos primeiros dias.
  • Manter a mão elevada quando houver inchaço.
  • Usar uma imobilização leve ou “buddy taping” (prender o dedo do meio ao dedo vizinho) quando indicado por profissional.
  • Observar a evolução de dor e função nas tarefas diárias.

Automedicação com anti-inflamatórios pode mascarar sintomas e não é adequada para todo mundo. Se a dor é frequente, vale avaliação para ajustar a conduta com segurança.

Tratamento: o que muda conforme a causa

O tratamento depende do diagnóstico.

  1. Entorses leves podem melhorar com proteção temporária e reabilitação.
  2. Fraturas exigem confirmação por imagem e, em alguns casos, imobilização mais rígida.
  3. Tendinites e tenossinovites respondem bem quando a sobrecarga é interrompida e há reabilitação guiada, com foco em mobilidade, força e controle do edema.

Em quadros persistentes, com recidivas, o caminho mais eficiente é o tratamento direcionado com médico ortopedista especialista em mão, porque pequenas diferenças no tipo de lesão mudam totalmente o plano e evitam a cronificação.

Retorno às atividades e prevenção

Quando a dor melhora, o retorno precisa ser progressivo. No consultório, reforço que “voltar tudo de uma vez” é um dos principais motivos de recaída.

Ajuste de ergonomia, pausas programadas e fortalecimento de antebraço e mão reduzem o risco de repetição do problema, principalmente em quem trabalha com movimentos finos.

FAQs

1) Dor na falange do dedo do meio pode ser fratura mesmo sem deformidade?

Sim. Algumas fraturas são pequenas e não desviam. Dor bem localizada no osso, inchaço e piora ao apertar sugerem investigação com radiografia.

2) Quando a dor no dedo do meio indica lesão de tendão?

Quando existe dificuldade real para dobrar ou esticar uma articulação, perda de força, “falha” no movimento ou dor associada a estalo após trauma.

3) Prender o dedo com o dedo ao lado ajuda?

Em entorses leves, pode ajudar a proteger e reduzir a dor, desde que não gere formigamento, mudança de cor ou piora do inchaço. Ideal usar orientação profissional.

4) Digitar pode causar dor na falange?

Pode, por sobrecarga de tendões e articulações, principalmente com longas horas, postura inadequada e poucas pausas. Ajustes ergonômicos e reabilitação costumam resolver.

5) Quanto tempo é normal sentir dor no dedo?

Após contusão leve, tende a melhorar em poucos dias. Persistência acima de 7 a 10 dias, piora progressiva ou limitação funcional pede avaliação.

Visualizações: 34
Compartilhar
Ortopedista-Especialista-maos-em-Goiania-

Dr. Henrique Bufaiçal

Ortopedista Especialista em mãos Goiânia. Há mais de 8 anos dedicando-se exclusivamente aos cuidados ortopédicos e à Cirurgia da Mão.