Sentir dor no punho após cirurgia de túnel do carpo é uma queixa comum no pós-operatório.
No consultório, muitos pacientes chegam preocupados por achar que “deu errado”, quando, na maior parte das vezes, o desconforto faz parte do processo de cicatrização e adaptação dos tecidos.
O ponto-chave é entender qual tipo de dor é esperado, o que costuma melhorar com o tempo e quais sinais pedem reavaliação.
O que é esperado sentir depois da cirurgia
A cirurgia de túnel do carpo tem o objetivo de aliviar a compressão do nervo mediano, cortando o ligamento transverso do carpo.
Mesmo sendo um procedimento frequente, o punho passa por inflamação local, edema e cicatrização.
É relativamente esperado notar:
- Sensibilidade na cicatriz, principalmente ao apoiar a mão.
- Dor ao fazer força de preensão (abrir tampa, torcer pano, segurar peso).
- Rigidez e “travamento” ao acordar, com melhora ao movimentar.
- Formigamento residual que vai reduzindo aos poucos (nem sempre some de imediato).
A evolução costuma ser gradual. A melhora da dormência pode ser rápida, enquanto a dor na região do punho e da palma pode levar mais tempo para estabilizar.
Quando a dor sugere que algo não está indo bem
Alguns sinais merecem mais atenção:
- Dor que piora semana após semana, sem tendência de melhora.
- Vermelhidão intensa, calor local, secreção ou febre.
- Inchaço importante que não reduz, associado a limitação crescente.
- Choque elétrico forte e persistente, com perda de força progressiva.
- Dor desproporcional ao toque, pele brilhante, alteração de cor/temperatura e rigidez marcante (pode sugerir síndrome dolorosa regional complexa).
Se a dor impede atividades básicas ou altera o sono por muitos dias, vale reavaliar cedo, sem esperar “passar sozinho”.
Principais causas de dor no punho após cirurgia de túnel do carpo
Dor na base da palma
É uma das causas mais comuns. A dor aparece nas “colunas” da palma, perto da base do polegar e do lado do dedo mínimo.
Pode incomodar ao apoiar a mão, fazer flexões, dirigir e segurar objetos. Tem relação com mudanças mecânicas locais e com a cicatrização após o corte do ligamento.
Sensibilidade da cicatriz e aderências
A cicatriz pode ficar hipersensível. Quando há aderência, o tecido cicatricial “prende” camadas profundas, gerando puxões e incômodo com movimentos repetitivos.
Massagem orientada, mobilização de cicatriz e terapia da mão geralmente ajudam bastante.
Irritação de ramos nervosos superficiais
Pequenos ramos sensoriais podem ficar irritados, gerando ardor, fisgadas ou sensação de choque em pontos específicos.
Em geral, melhora com o tempo e com medidas de dessensibilização, quando bem indicadas.
Tendinites e sobrecarga no retorno às atividades
Voltar a esforço antes do tempo, digitar por longos períodos ou retomar treino pesado pode inflamar os tendões do punho e do polegar, somando dor ao quadro.
O padrão costuma ser dor ao movimento e após uso prolongado.
Compressão persistente ou diagnóstico associado
Em uma minoria, a dor pode estar ligada à compressão não totalmente resolvida, cicatriz interna envolvendo o nervo, ou coexistência de outros problemas (artrose do punho, neuropatias proximais, alterações cervicais).
Nesses casos, reavaliar o diagnóstico faz diferença.
Em quanto tempo melhora?
O tempo varia conforme a técnica cirúrgica, intensidade da compressão prévia, perfil de cicatrização e demandas do dia a dia.
De modo geral:
- Primeiras 2 a 6 semanas: dor local e sensibilidade são comuns.
- 6 a 12 semanas: ganho progressivo de função e redução do incômodo ao apoio.
- 3 a 6 meses: melhora mais nítida da força e da tolerância a atividades.
- Até 12 meses: alguns sintomas residuais podem seguir ajustando, principalmente em casos antigos e graves.
Quem tinha dormência intensa por muito tempo pode recuperar a sensibilidade mais lentamente, porque o nervo leva meses para se reorganizar.
O que fazer para aliviar a dor com segurança
No consultório, as orientações mais eficazes envolvem um conjunto de medidas simples, com disciplina:
- Proteção do punho: evite apoio direto na cicatriz e esforços repetitivos no início.
- Gelo (quando indicado): útil em fases de edema e dor inflamatória, por períodos curtos.
- Elevação e mobilidade leve: movimentar dedos e punho dentro do recomendado reduz a rigidez.
- Cuidados com a cicatriz: após liberação médica, massagem e dessensibilização melhoram o conforto.
- Retorno gradual: aumente a carga por etapas, sem “testar” força máxima cedo.
Medicamentos e órteses podem ser úteis, desde que orientados pelo seu médico.
Evite automedicação prolongada, principalmente anti-inflamatórios, por riscos gastrointestinais e renais.
Quando exames podem ser necessários
Se a dor persiste além do esperado, ou se há sinais neurológicos relevantes, o médico pode solicitar:
- Ultrassom para avaliar tendões, espessamentos e coleções.
- Eletroneuromiografia para reavaliar o nervo mediano em casos selecionados.
- Exames de imagem complementares quando há suspeita de outra causa no punho.
A decisão depende do exame físico e do padrão de sintomas, não só do tempo de pós-operatório.
Tratamentos quando a dor persiste
Quando o incômodo não evolui bem, as condutas mais comuns incluem:
- Terapia da mão/fisioterapia com foco em mobilidade, cicatriz, força progressiva e ergonomia.
- Ajustes de atividade e pausas programadas.
- Tratamentos para dor neuropática em casos específicos.
- Infiltrações em situações selecionadas.
- Reavaliação cirúrgica apenas quando há indicação clara (é menos frequente).
Se você está com dor no punho após cirurgia de túnel do carpo e sente que a recuperação travou, é importante buscar um especialista em túnel do carpo para avaliar seu caso.
FAQs
1) É normal sentir dor ao apoiar a mão depois da cirurgia?
Sim, especialmente nas primeiras semanas. A dor ao apoio costuma estar ligada à cicatriz e à dor do pilar, com melhora progressiva.
2) Quanto tempo dura a dor do pilar?
Pode durar algumas semanas a alguns meses. A tendência é reduzir com reabilitação, controle de carga e adaptação do apoio.
3) Formigamento pode continuar mesmo após a cirurgia?
Pode. Em casos antigos, o nervo precisa de tempo para se recuperar. O padrão esperado é melhorar aos poucos, não piorar.
4) Quando devo suspeitar de complicação?
Se houver secreção, febre, vermelhidão intensa, piora progressiva da dor, perda de força crescente ou dor desproporcional ao toque.
5) Posso voltar a treinar ou carregar peso logo após operar?
Retorno deve ser gradual e liberado pelo cirurgião. Forçar cedo aumenta risco de tendinite, dor persistente e atraso na recuperação.




