Instabilidade escafolunar é uma alteração mecânica do punho que envolve o ligamento entre dois ossos do carpo: escafoide e semilunar.
Quando esse ligamento falha, a engrenagem fina do punho perde a sincronia.
O resultado pode ser dor, perda de força, estalos, sensação de “falha” ao apoiar a mão e limitação para atividades comuns, como pegar peso, abrir potes, fazer flexões ou sustentar o corpo ao levantar de uma cadeira.
O ponto crítico é que nem toda dor no punho vem de uma instabilidade. Por isso, tratar como “tendinite” por conta própria pode atrasar a conduta certa.
Em lesões ligamentares, tempo e precisão no diagnóstico influenciam o prognóstico, retorno funcional e risco de desgaste articular no futuro.
O que é a instabilidade escafolunar
O punho tem oito ossos pequenos (carpos) que trabalham em conjunto para dar mobilidade e estabilidade.
O ligamento escafolunar funciona como um “guia” entre o escafoide e o semilunar. Em condições normais, eles se movem de forma coordenada.
Quando o ligamento sofre estiramento, ruptura parcial ou ruptura completa, o escafoide tende a inclinar e o semilunar pode perder seu alinhamento, alterando a distribuição de cargas na articulação.
Em casos persistentes, pode ocorrer um padrão de degeneração progressiva do punho, com dor crônica e perda de movimento.
Nem toda instabilidade é igual. Ela pode ser:
- Dinâmica: o desvio aparece em determinadas posições ou esforços.
- Estática: o desalinhamento já é visível mesmo em repouso, em exames de imagem.
Principais causas e mecanismos de lesão
A causa mais comum é trauma, principalmente queda com a mão estendida, impacto em esportes, torções abruptas ou acidentes.
Há situações em que a lesão parece “pequena” no dia, melhora por um período e retorna com esforço, o que gera falsa segurança.
Fatores que costumam aparecer na história clínica:
- Quedas com apoio da mão.
- Dor após treino de força (barra, halteres, cross training).
- Dor em esportes com apoio e rotação do punho (luta, ginástica, skate).
- Piora com atividades de carga ou extensão do punho.
- Episódios repetidos de torção do punho.
Sintomas que levantam suspeita
Os sintomas variam bastante. Muitos pacientes descrevem dor localizada no dorso do punho (parte de cima), próxima ao lado do polegar, com sensação de instabilidade ao apoiar.
Estalos podem ocorrer, com ou sem dor.
Sinais comuns:
- Dor ao fazer força de preensão (apertar, torcer pano, abrir tampa).
- Piora ao apoiar o peso do corpo na mão.
- Sensação de “falseio” ou insegurança.
- Edema discreto após esforço.
- Redução de amplitude de movimento em extensão.
- Dor que persiste por semanas após um trauma.
Sinais de alerta que pedem avaliação rápida
Procure atendimento com especialista em mão com prioridade se houver:
- Deformidade.
- Perda importante de força.
- Dormência persistente.
- Dor intensa que não melhora com repouso.
- Incapacidade de movimentar o punho.
- Dor após queda com impacto relevante.
Diagnóstico
O diagnóstico começa na conversa clínica: mecanismo da lesão, localização da dor, padrão de piora e limitações.
O exame físico busca pontos dolorosos específicos, testes provocativos e sinais de instabilidade.
Exames que costumam entrar na investigação:
- Radiografias: podem ser normais no início. Incidências específicas e radiografias com estresse podem ajudar a revelar alterações.
- Ressonância magnética: útil para avaliar tecidos moles, qualidade do ligamento e lesões associadas.
- Tomografia: pode detalhar alinhamento ósseo e alterações articulares.
- Artroscopia do punho: em casos selecionados, permite confirmar a lesão e graduar instabilidade, com possibilidade de tratamento no mesmo ato.
Em um punho com dor persistente pós-trauma, a combinação de história, exame e imagem direciona a conduta.
Em muitos casos, faz diferença buscar diagnóstico com ortopedista com especialização em lesões da mão.
Tratamento: o que costuma funcionar em cada fase
O tratamento depende do tempo de lesão, do grau de instabilidade, da presença de desgaste articular e das demandas do paciente (trabalho manual, esporte, força).
Conduta conservadora
Em estiramentos e lesões parciais, ou em situações com baixa instabilidade, podem ser indicados:
- Imobilização por período definido.
- Controle de dor e inflamação com orientação médica.
- Fisioterapia com foco em controle de movimento, estabilidade do punho e fortalecimento progressivo.
- Adaptação temporária de atividades e ergonomia.
O objetivo é reduzir a dor, recuperar a função e proteger o ligamento durante cicatrização. A resposta ao tratamento deve ser acompanhada com critérios objetivos: força, dor, estabilidade e tolerância a carga.
Tratamento cirúrgico
Em rupturas completas, instabilidade relevante, falha do tratamento conservador ou casos com alterações estruturais, a cirurgia pode ser indicada. Entre as opções possíveis, conforme avaliação:
- Reparo ou reconstrução ligamentar.
- Fixação temporária com fios para proteção durante cicatrização.
- Procedimentos para restaurar o alinhamento e biomecânica.
- Em casos avançados com artrose, cirurgias de salvamento para redução de dor e melhora funcional.
A escolha do procedimento não é “padrão para todos”. A decisão depende de achados de imagem, tempo de lesão, qualidade dos tecidos e objetivos funcionais.
Reabilitação e retorno às atividades
A recuperação exige disciplina. A imobilização, quando indicada, tem finalidade clara: proteger o reparo e permitir cicatrização.
Depois, vem uma fase de mobilidade controlada, seguida por fortalecimento e treino de carga.
Pontos práticos para orientar expectativas:
- Dor pode reduzir antes da estabilidade estar pronta.
- Retorno ao esporte de impacto no punho costuma exigir liberação progressiva.
- Tarefas manuais pesadas pedem recondicionamento, não apenas “parar de doer”.
- Reavaliações são parte do processo, para ajustar o plano.
Como reduzir o risco de piora
Algumas medidas protegem o punho durante a recuperação e no dia a dia:
- Evitar apoio prolongado em extensão forçada do punho quando há dor.
- Melhorar técnica e progressão de carga no treino.
- Fortalecer antebraço e estabilizadores do punho com orientação.
- Usar proteção em esportes de risco quando recomendado.
- Tratar quedas e traumas com avaliação adequada, mesmo quando a dor pareça leve.
Caso você observe alguns dos sintomas descritos, busque o quanto antes avaliação, e assim evitar futuras complicações.




