Sentir dor na parte de cima da mão direita não é algo raro. O dorso da mão concentra tendões extensores, articulações finas entre os ossos (metacarpos e falanges) e ramos nervosos superficiais.
Um incômodo nessa área pode surgir por esforço repetitivo, pancadas, inflamações, cistos, irritações nervosas e até fraturas discretas que passam despercebidas.
O ponto-chave é entender o contexto: começou depois de treino, digitação intensa, trabalho manual, queda, torção do punho ou sem motivo claro?
A resposta muda o caminho de avaliação e o tipo de cuidado.
Dor na parte de cima da mão direita: causas mais comuns
Sobrecarga dos tendões extensores
Os tendões extensores passam pelo dorso e ajudam a “abrir” os dedos e estabilizar o punho.
Uso repetitivo (mouse, teclado, ferramentas, musculação, esportes com raquete) pode provocar dor localizada, sensação de queimação e piora ao estender os dedos contra resistência.
Sinais típicos:
- Dor que aumenta com esforço.
- Rigidez ao acordar.
- Leve inchaço no dorso.
- Melhora parcial com repouso.
Contusão e inflamação local após impacto
Bater a mão em uma quina, cair apoiando a palma ou sofrer um “tranco” pode irritar tecidos do dorso mesmo sem fratura.
Costuma vir com sensibilidade ao toque e edema leve a moderado.
Cisto sinovial (gânglio)
Um “caroço” arredondado no dorso do punho ou próximo à base da mão pode ser cisto sinovial.
Nem sempre aparece grande; às vezes, a pessoa sente dor e pressão antes de notar o volume. Pode piorar com extensão do punho (apoiar no chão, flexão, prancha).
Irritação do nervo radial superficial
Há um ramo nervoso que passa mais superficialmente no dorso do lado do polegar.
Compressão por relógio apertado, tala inadequada, trauma ou inflamação local pode gerar dor, choques, formigamento e sensibilidade aumentada na pele, com toque “incomodando mais do que deveria”.
Fratura por estresse ou fissuras pouco visíveis
Em quem treina forte, trabalha pesado ou teve queda, pode existir fissura em metacarpo ou em ossos próximos, com dor que piora ao apertar, ao segurar peso ou ao apoiar a mão.
Nem toda fratura aparece de cara em raio-x inicial, dependendo do caso e do tempo de evolução.
Artrose e inflamação articular
Algumas articulações podem doer no dorso por desgaste, microinstabilidades e inflamação.
É mais comum sentir rigidez, estalos e piora gradual, com períodos de melhora e piora.
Como observar os sintomas
Use estas perguntas rápidas para se orientar:
- A dor apareceu depois de uma atividade específica?
- Existe ponto exato que dói ao apertar?
- Tem inchaço visível, hematoma ou deformidade?
- A dor irradia para dedos? Existe formigamento?
- Perdeu força para pinça (polegar e indicador) ou para segurar objetos?
- Piora à noite ou acorda você com dor?
Anote isso por 2 a 3 dias. Esse “mapa” do sintoma ajuda muito na consulta e reduz tentativa e erro.
O que fazer nas primeiras 48 a 72 horas
Se a dor começou com esforço leve ou após uma batida sem deformidade, inicie com medidas simples:
- Repouso relativo: evite movimentos que disparem dor; não precisa “imobilizar a vida”, só reduzir carga.
- Gelo: 10 a 15 minutos, 2 a 4 vezes ao dia.
- Elevação: quando houver inchaço.
- Apoio temporário: uma munhequeira simples pode ajudar, desde que não aperte e não cause formigamento.
- Analgésicos/anti-inflamatórios: só se você já usa com segurança e não tem contraindicações (gastrite importante, uso de anticoagulante, doença renal, alergias).
Se a dor estiver vindo de repetição, ajuste a causa:
- Mouse mais próximo e apoio de antebraço.
- Pausas curtas a cada 30–40 minutos.
- Alternância de tarefas manuais.
- Técnica no treino (pegada, carga, volume).
Quando procurar avaliação
Procure atendimento quando houver:
- Dor forte após queda, torção ou pancada importante.
- Deformidade, estalo com perda imediata de função.
- Inchaço intenso ou hematoma que cresce.
- Dormência, formigamento persistente ou fraqueza.
- Febre, pele muito vermelha e quente.
- Dor que não melhora em 7 a 10 dias, mesmo reduzindo a carga.
Nessas situações, ortopedista especialista em mão deve ser consultado para examinar estruturas específicas e definir exames com precisão.
Como o diagnóstico costuma ser feito
A avaliação começa por história clínica e exame físico: pontos dolorosos, testes de tendões, estabilidade articular, sensibilidade e força. Exames entram quando mudam conduta:
- Raio-x: útil para fraturas, desalinhamentos e sinais de artrose.
- Ultrassom: bom para tendões e cistos, com avaliação dinâmica.
- Ressonância: detalha ligamentos, cartilagem, edema ósseo e fraturas ocultas.
- Eletroneuromiografia: quando há suspeita de compressão nervosa persistente.
Tratamentos mais usados
O tratamento depende da causa, mas costuma seguir uma lógica:
- Controle de dor e inflamação: gelo, ajuste de carga, imobilização breve quando necessária, medicação selecionada.
- Reabilitação: fisioterapia para fortalecer, melhorar mobilidade e corrigir padrão de movimento.
- Procedimentos: infiltração em casos bem indicados (tendinopatias selecionadas, inflamação articular), punção de cisto em situações específicas.
- Cirurgia: reservada para fraturas instáveis, rupturas, compressões nervosas refratárias ou casos com falha do tratamento conservador.
Se você trabalha com as mãos, vale tratar cedo. Dor crônica muda a forma de usar a mão, sobrecarrega outras estruturas e prolonga a recuperação.




