A entorse de punho é uma lesão dos ligamentos, estruturas que estabilizam os ossos do carpo e mantêm o punho funcionando de forma coordenada.
Na prática, ela costuma aparecer após uma queda com a mão estendida, um impacto esportivo ou uma torção inesperada.
O problema parece simples, mas nem sempre é, porque algumas entorses escondem lesões mais relevantes e fraturas pequenas que passam despercebidas no começo.
Entender o grau de lesão, reconhecer sinais de alerta e tratar cedo ajuda a reduzir dor, inchaço e risco de sintomas persistentes.
A seguir, você vê o que realmente importa para conduzir uma entorse de punho com segurança.
O que acontece na entorse de punho
Os ligamentos funcionam como “cabos” de contenção. Eles seguram a articulação no lugar e impedem que o movimento passe do ponto, mantendo o punho estável no dia a dia e no esforço.
Quando o punho dobra além do limite, esses ligamentos podem ser sobrecarregados. O resultado varia de um estiramento a uma lesão parcial, chegando à ruptura completa nos casos mais intensos.
De forma didática, as entorses costumam ser classificadas em:
- Grau 1: estiramento, sem ruptura relevante, dor e inchaço leves a moderados.
- Grau 2: lesão parcial, mais dor, limitação de movimento e sensação de fraqueza.
- Grau 3: ruptura, instabilidade e dificuldade importante para usar a mão.
Principais causas
A causa mais comum é a queda com a mão no chão, quando o punho “vai para trás” com força.
No esporte, a entorse de punho pode surgir em contato físico, apoio no solo, aterrissagens e movimentos repetidos com carga.
Traumas no trânsito, pancadas diretas e torções durante atividades do dia a dia também entram na lista.
Sintomas e sinais de alerta
Os sintomas típicos incluem dor localizada, inchaço, sensibilidade ao toque, dificuldade para mexer o punho e, em alguns casos, hematomas.
A dor pode piorar ao apoiar a mão, girar a chave, abrir potes, carregar peso ou fazer movimentos de torção.
Sinais de alerta
Procure avaliação médica o quanto antes se houver:
- Deformidade visível, estalo com perda de função ou sensação de “punho solto”;
- Dormência persistente, formigamento forte ou perda de força na mão;
- Dor intensa que não melhora nas primeiras 48 a 72 horas;
- Inchaço progressivo, hematoma amplo, incapacidade de segurar objetos;
- Dor do lado do polegar com sensibilidade na base do polegar.
Como é feito o diagnóstico
O diagnóstico começa no exame clínico: localização da dor, testes ligamentares, estabilidade do carpo e amplitude de movimento.
Em seguida, exames de imagem ajudam a separar entorse de punho isolada de lesões associadas.
- Radiografia: primeira etapa para excluir fratura e desalinhamentos.
- Ultrassom: pode auxiliar em algumas lesões de partes moles, dependendo do caso e da experiência do serviço.
- Ressonância magnética: útil para avaliar ligamentos, CFTC e lesões ocultas, principalmente quando a dor persiste.
- Tomografia: indicada em suspeitas específicas de fratura ou avaliação detalhada de ossos.
Quando há suspeita de instabilidade importante ou lesão complexa, a artroscopia pode ser usada para confirmar o diagnóstico e tratar ao mesmo tempo, em situações selecionadas.
Tratamento da entorse por gravidade
O tratamento depende do grau de lesão, do nível de dor e do que os exames mostram.
Em muitos casos, a entorse de punho melhora com medidas conservadoras, desde que a imobilização e o retorno às atividades sejam bem conduzidos.
Medidas iniciais comuns:
- Repouso relativo: evitar apoiar o peso e movimentos que provoquem dor.
- Gelo: 10 a 15 minutos, 3 a 5 vezes ao dia, nos primeiros dias.
- Compressão leve: faixa elástica pode ajudar no inchaço (sem apertar demais).
- Elevação: manter a mão acima do nível do coração quando possível.
- Imobilização: tala ou órtese em posição neutra, conforme orientação.
Medicamentos analgésicos e anti-inflamatórios podem ser usados quando indicados pelo médico, respeitando contraindicações e histórico clínico.
Na fase de recuperação, a fisioterapia entra para recuperar a mobilidade, força e controle do punho, com progressão gradual de carga.
Quando a cirurgia é considerada
Nos quadros de grau 3, em instabilidade escafolunar, lesões importantes do CFTC ou falha do tratamento conservador, pode ser indicada cirurgia.
O procedimento pode ser artroscópico ou aberto, com reparo do ligamento e, em alguns casos, fixação temporária para estabilizar a articulação durante a cicatrização.
Tempo de recuperação e volta às atividades
Uma entorse de punho leve costuma melhorar em poucas semanas. Lesões moderadas podem exigir mais tempo de imobilização e reabilitação.
Já as lesões graves ou com cirurgia têm recuperação mais longa, com etapas bem definidas para evitar rigidez e recidiva.
O retorno ao esporte e ao treino de força deve acontecer quando houver boa amplitude de movimento, força adequada e ausência de dor nas tarefas do dia a dia.
Voltar antes do tempo aumenta a chance de nova entorse e de dor residual.
Como reduzir o risco de nova lesão
As minhas orientações enquanto ortopedista especializado em fraturas de mão e punho para diminuir o risco de futuras lesões são:
- Fortalecer antebraço e mão.
- Corrigir a técnica esportiva.
- Usar proteção quando indicada.
- Respeitar o descanso entre treinos.
Em esportes de contato, apoio no solo ou quedas frequentes, uma órtese pode ser recomendada em fases de retorno, sempre com orientação profissional.
FAQs
Como saber se é entorse de punho ou fratura?
Dor e inchaço aparecem nas duas situações. Radiografia é a etapa inicial para excluir fratura, e a avaliação clínica direciona exames adicionais quando a dor persiste.
Precisa imobilizar sempre?
Nem sempre, mas é comum usar tala ou órtese por um período para proteger o ligamento e reduzir dor, principalmente nas entorses moderadas e dolorosas.
Quando a cirurgia é considerada?
Geralmente quando há ruptura ligamentar com instabilidade, lesão relevante do CFTC, falha do tratamento conservador ou lesões associadas que exigem correção.
Quanto tempo dura a dor após uma entorse de punho?
Casos leves melhoram em semanas. Se a dor passa de algumas semanas ou impede o uso da mão, vale reavaliar para descartar lesões ocultas.
Fisioterapia é necessária em todos os casos?
Em entorses leves, pode não ser obrigatória. Em lesões moderadas, retorno ao esporte e casos com rigidez, a reabilitação costuma acelerar a recuperação e reduzir recidiva.
O que piora a recuperação?
Voltar cedo ao esforço, manter carga com dor, não usar a imobilização quando indicada e ignorar sinais de instabilidade são fatores que favorecem sintomas persistentes.




