Artrite reumatoide nas mãos: sinais e tratamento

A artrite reumatoide nas mãos costuma provocar dor, rigidez, inchaço e queda de força, com impacto direto em tarefas simples: abrir tampas, digitar, segurar sacolas, usar talheres, abotoar roupa.

É uma doença inflamatória autoimune. O quadro pode alternar períodos mais tranquilos com fases de piora, quando os sintomas reaparecem com mais intensidade.

O que faz diferença é identificar cedo e controlar a inflamação logo no início.

Quando o diagnóstico e o tratamento atrasam, cresce o risco de desgaste articular e deformidades, que depois viram um problema bem mais difícil de corrigir.

O que é artrite reumatoide nas mãos

A artrite reumatoide acontece quando o sistema imunológico passa a atacar estruturas da articulação, principalmente a membrana sinovial, que reveste a parte interna e produz o líquido sinovial.

Essa agressão gera sinovite, com aumento de líquido, espessamento do tecido e dor.

A artrite reumatoide nas mãos costuma dar sinais nos punhos e nas juntas mais próximas da palma e do “meio” dos dedos, que são as metacarpofalângicas e as interfalângicas proximais.

Quando a inflamação fica em atividade por muito tempo, essa região vai ficando mais frágil e menos estável. A articulação perde qualidade e passa a funcionar pior, dia após dia.

Aí surgem desvios nos dedos e a mão perde precisão, principalmente em tarefas de coordenação fina, como pegar moedas, abotoar roupa e manusear pequenos objetos.

Nem todo paciente chega a esse ponto, principalmente quando o controle da doença é iniciado cedo e mantido com acompanhamento regular.

Por que a mão sofre tanto

A mão reúne várias articulações pequenas em um espaço curto e trabalha o dia inteiro com movimentos finos e repetitivos.

Quando existe sinovite, o volume dentro da articulação aumenta, o que limita o movimento e piora a dor.

A inflamação também pode atingir bainhas dos tendões (tenossinovite), criando desconforto ao flexionar e estender os dedos, com sensação de travamento ou estalos em alguns casos.

Sintomas mais comuns

Os sintomas podem começar discretos e evoluir aos poucos. O conjunto de rigidez, inchaço e dor com padrão inflamatório é o que mais chama atenção.

Os achados mais frequentes incluem:

  • Rigidez matinal prolongada, muitas vezes acima de 30 a 60 minutos.
  • Inchaço nas articulações, com sensação de “mão cheia” e dificuldade para fechar.
  • Dor em repouso ou dor que piora no fim do dia e durante a noite.
  • Calor local e sensibilidade ao toque nas articulações inflamadas.
  • Perda de força para abrir potes, torcer panos, carregar peso e manter a pegada.
  • Fadiga e cansaço fora do esperado, em especial quando a doença está ativa.

Formigamento também pode aparecer, principalmente quando há compressão do nervo mediano no punho (síndrome do túnel do carpo), condição que pode coexistir com a inflamação articular.

Dor que “corre” para o antebraço, perda de sensibilidade e piora ao segurar o celular por muito tempo são pistas úteis, mas precisam de avaliação para confirmação.

Sinais de alerta

Procure avaliação com prioridade se houver articulação muito quente e muito vermelha, dor intensa com limitação marcada, febre alta, ferida com secreção, ou incapacidade súbita de mover um dedo.

Esses quadros levantam hipóteses que exigem investigação rápida, incluindo infecção articular.

Perda progressiva de força ou sensibilidade, com queda frequente de objetos, também pede avaliação sem demora.

Como é feito o diagnóstico

O diagnóstico é principalmente clínico, com apoio de exames de sangue e de imagem.

Na consulta, o médico observa o padrão da dor, quanto tempo a rigidez dura, quantas articulações estão envolvidas e se o quadro aparece dos dois lados.

Também procura sinais de sinovite e mede o quanto isso já está atrapalhando a função da mão no dia a dia.

Exames de sangue ajudam a confirmar suspeita, estimar risco de progressão e acompanhar atividade inflamatória.

  • Exames laboratoriais: fator reumatoide, anti-CCP, PCR, VHS e outros conforme o caso.
  • Radiografias: úteis para acompanhar alinhamento e sinais de dano ao longo do tempo.
  • Ultrassom: detecta sinovite e atividade inflamatória com boa sensibilidade, inclusive no início.
  • Ressonância: indicada em situações selecionadas para detalhar inflamação e erosões precoces.

Também é comum comparar com outras causas de dor na mão, como artrose, artrite psoriásica, gota e tendinopatias.

Tratamento: o que costuma entrar no plano

O tratamento busca controlar a inflamação, aliviar a dor, preservar a função e reduzir o dano articular.

Na maioria dos casos, o acompanhamento é feito por reumatologista, com apoio de fisioterapia e terapia da mão quando indicado.

Medicamentos modificadores do curso da doença (DMARDs) são a base, com ajustes conforme a resposta.

Em casos selecionados, podem ser necessários biológicos ou terapias alvo-específicas. Analgésicos e anti-inflamatórios entram para controle de sintomas, com avaliação de riscos.

Quando há deformidades importantes, instabilidade, ruptura tendínea ou perda funcional que não melhora com controle clínico e reabilitação, o acompanhamento de perto de ortopedista especialista em mão é importante para avaliar opções cirúrgicas.

A indicação varia muito, e a reabilitação costuma ser parte central do resultado.

Cuidados práticos no dia a dia

Medidas simples ajudam a reduzir a sobrecarga e melhorar a autonomia. Em artrite reumatoide nas mãos, proteção articular e ergonomia fazem diferença real quando aplicadas com consistência.

  • Prefira segurar objetos maiores com as duas mãos, reduzindo esforço de pinça.
  • Use cabos mais grossos em talheres e canetas, diminuindo pressão nas articulações dos dedos.
  • Programe pausas curtas em tarefas repetitivas, como digitação, costura e cozinha.
  • Órteses para punho ou polegar podem estabilizar e aliviar dor quando bem indicadas.
  • Calor suave pode reduzir rigidez, gelo pode ajudar na dor em fase inflamada, conforme tolerância.

Exercícios precisam ser individualizados. Movimentos leves de amplitude, fortalecimento progressivo e treino funcional orientado tendem a ajudar, respeitando dor e fase da doença.

Em crises, reduzir a carga e controlar o edema costuma ser prioridade, sem abandonar totalmente a mobilidade.

FAQs

Artrite reumatoide nas mãos é artrose?

Não. Artrose é degenerativa e costuma piorar com uso. A artrite reumatoide tem padrão inflamatório, com rigidez matinal prolongada e inchaço articular.

Rigidez pela manhã é um sinal forte?

Sim. Rigidez prolongada pela manhã, somada a inchaço e dor em várias articulações, aumenta suspeita de doença inflamatória.

Formigamento pode acontecer?

Pode. Inflamação no punho pode coexistir com compressão nervosa, como túnel do carpo, e isso precisa de avaliação dirigida.

Ultrassom ajuda no início?

Ajuda. O ultrassom pode identificar sinovite e atividade inflamatória cedo, apoiando diagnóstico e acompanhamento.

A doença sempre deforma os dedos?

Não. Com controle inflamatório adequado e acompanhamento regular, muita gente preserva função e reduz muito o risco de deformidades.

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Ortopedista-Especialista-maos-em-Goiania-
Dr. Henrique Bufaiçal

Ortopedista Especialista em mãos Goiânia. Há mais de 8 anos dedicando-se exclusivamente aos cuidados ortopédicos e à Cirurgia da Mão.